Quando Admond Chorou

Encontrei hoje, após anos de busca, o livro When Nietzsche Wept, de Irvin Yalom. Eu o dera de presente ao meu saudoso amigo Admond Ben Meir, o Filósofo Virtual, no aniversário dele, 16 de junho de 98. Escrevi a seguinte dedicatória:

When Nietzsche wept, my dearest friend, the Virtual Philosopher, told him: “Don’t weep, Friedrich. It is no dishonour to be second best after me.” Happy Birthday!

Quando Admond morreu no ano seguinte, sua mãe me vendeu por preço de mãe quase todos os livros dele, que compõem o núcleo da minha biblioteca hoje, e o livro do Yalom veio de novo parar nas minhas mãos. Na última página, meu amigo havia escrito sua opinião sobre o livro:

Inteligente, superbem construído, diálogos instigantes, conhecimento de causa… Fantástico!
23/7/98 – quinta-feira.

Só então li o livro, e escrevi o seguinte comentário, logo abaixo do comentário dele:Faço minhas as palavras do meu amigo Admond, a quem presenteei este livro, tomado de volta após a sua morte, em 1999. Minha única crítica: a fácil resolução do problema de Breuer, recorrendo apenas a uma sessão de hipnose, que resultou miraculosa… e muito improvável.
Domingo, 13/10/2002.
Percebi o quanto em comum tinham Nietzsche e o Filósofo Virtual, além da genialidade e, claro, dos pendores filosóficos. Ambos passaram a vida inteira doentes, padecendo as dores da limitação física e da inteligência superior, morreram antes do seu tempo e pagaram um preço alto demais pelo gênio.Eu ia colocar aqui uma foto do Admond que eu tinha (essa aí em cima é do Nietzsche, em 1899, pouco antes de morrer), mas guardei-a dentro de um livro, crente de que o meu amigo apreciaria a boa companhia. Ironicamente, esqueci qual era o livro.

Por onde você anda, fratello?
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Deixaram Ricardo Ramos de Fora

Nesta madrugada iniciei a leitura, com sete anos de atraso, da coletânea Os Cem melhores Contos Brasileiros do Século. Século XX, bem-entendido. Já me deliciei com Porque Lulu Bergantim Não Atravessou o Rubicão, de José Cândido de Carvalho, já me comovi com A Nova Dimensão do Escritor Jeffrey Curtain, de Marina Colasanti, e já me decepcionei com A Balada do Falso Messias, de Moacyr Scliar. Foi muito comentada a ausência de Guimarães Rosa, decorrente de problemas de direito autoral. Estranhei, mas não lamentei, a ausência dos auto-intitulados “Trangressores da Geração 90”, a saber, Marcelo Mirisola, Nelson de Oliveira e outros. Desses, só André Sant’Anna foi incluído. Mas uma ausência é injustificável: a de Ricardo Ramos, filho de Graciliano e um dos melhores escritores deste país. A antologia, organizada por um acadêmico qualquer, traz nada menos que cinco contos do superestimado Rubem Fonseca, e nenhum do subestimado Ricardo Ramos, autor do romance As Fúrias Invisíveis e do livro de contos Toada para Surdos, fonte da citação a seguir:

O espelho mostra os olhos, na órbita dos óculos, e as bolsas que debaixo deles se arredondam, meias-luas empapuçadas, com estrias, como se em relevo sobre o rosto cavado pesassem, repuxassem os dois globos nadando em baço líquido, o esquerdo mais lacrimoso a um canto, o direito um pouco mais estreito, ou contraído, essa diminuição que não é de perceber-se logo, deve-se firmar a vista para notá-la, o que nem sempre acontece pois a visão também se encolheu, desfocada, daí a sensação de um rosto a fazer mira, de tocaia no instante do tiro, enquanto vêm mais à tona o cinzento dos aros, o opaco das lentes, porque os olhos são por trás e afundam, uma vaga lembrança do que foram mostra o espelho. Mas não o que tanto viram para se cansar tão depressa.

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Pot-pourri

Lulla e a primeira-drama diante da prioridade dele na presidência.
Leio na Folha que a educação do Brasil teve uma piora drástica no ensino médio e fundamental. Nada mais coerente num país que elegeu, e recentemente reelegeu presidente da República um apedeuta. Alguém imagina um povo de Primeiro Mundo, ultra-democrático, socialista até, escolhendo para chefe de Estado um semi-analfabeto? Os franceses aplaudem o Lulla, mas nunca elegeram um ignorante presidente ou premiê. Idiotas sim, ignorantes não. A ironia disso é que o Lulla, como brilhantemente observou Carlos Vereza, é uma invenção da USP, da UNICAMP e das comunidades eclesiais de base.

A exibição do documentário A Verdade sobre o Opus Dei pelo The History Channel (por que não pode chamar-se aqui Canal de História, como em Portugal?) levou-me à constatação de que sigilo em movimentos religiosos transforma-os em seitas aos olhos do público. Os templários e os jesuítas, em suas épocas de expansão, sofreram as mesmas calúnias hoje lançadas contra os discípulos de São Josemaría Escrivá: conciliábulos secretos, enriquecimento suspeito, manipulação de governos, aliciamento de fiéis. Nada de novo sob a chuva, como diriam os ingleses.

A feiosa porém atlética Franka Potente faz jus ao nome e sobrenome emCorra Lola Corra, talvez o melhor do cinema alemão contemporâneo. É ela mesma que corre durante o filme inteiro, nada de dublês nem cenas reaproveitadas.
Fico assistindo a filmes reprisados enquanto não entra em cartaz Satori Uso, o documentário do meu amigo Grota sobre o esquivo poeta japonês que viveu no Brasil na década de 50 e foi amigo de Jack Kerouac. O fato de ele nunca ter existido é um detalhe mesquinho. As pessoas que mais vale a pena conhecer nunca existiram.
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Rainha Helena

A despeito do título, A Rainha (2006), de Stephen Frears, não pretende ser uma cinebiografia de Elizabeth II da Inglaterra, mas tão-somente uma reflexão sobre a inadequação de uma monarquia em um país de governo republicano. Helen Mirren, não só uma das maiores atrizes vivas, como também repleta de rainhas inglesas no currículo (incluindo Elisabete I), interpreta nada menos que perfeitamente a pouco carismática e conscienciosa titular atual do Palácio de Buckingham, entronizada numa época em que monarcas eram ainda tão taken for granted que não se sentiam na obrigação de dar satisfação a quem quer que fosse, muito menos ao povo. Diferente de hoje, em que a família real é obrigada a merecer, de alguma forma, os 40 milhões de libras que custa ao contribuinte inglês, embora Elizabeth inicialmente não se tenha dado conta disso, quando, em 1997, chocou o povo britânico com sua indiferença diante da morte trágica de sua odiada e carismática ex-nora, Lady Diana, que tantos problemas e escândalos havia feito chover sobre a debilitada herança de Guilherme o Conquistador.

O filme tem início com a eleição do primeiro-ministro Tony Blair (muito bem defendido pelo efeminado Michael Sheen, que imita à perfeição o sorriso afetado do premiê), para contrariedade de Elizabeth, que obviamente preferia um conservador. Com a morte de Diana, então divorciada do príncipe Charles, e a recusa da família real em outorgar-lhe honras fúnebres principescas, ou mesmo de fazer um espetáculo público da dor que não sentia absolutamente, Blair vê-se com uma crise monárquica nas mãos. Embora socialista, percebe de imediato que sua sobrevivência política depende da sobrevivência da monarquia decrépita que o seu gabinete recém-empossado representa.

Em alguns momentos o filme parece reverente demais, já que quase todos os personagens estão vivos, mas não faltam críticas ácidas ao anacronismo e insensibilidade dos Windsors. Charles é retratado como o que de fato é, um patético homem de meia-idade cuja vida consiste em esperar pela morte da mãe. Pior ainda é o príncipe-consorte Philip, nada além de um velho reacionário que só pensa em caçar. Em A Rainha Diana não é santificada como o foi pelo populacho inglês; é apenas uma memória, com direito a várias imagens de arquivo, que assombra a família real depois de morta tanto quanto a atormentou em vida. Nem Blair, a força modernizante da história, é poupado, quando Elizabeth, no fim do filme, sentencia que um dia ele também será odiado pelo povo britânico, como de fato foi, ao tornar-se lacaio do criminoso George W. Bush na invasão do Iraque.

O único momento poético do filme fica por conta do cervo imperial, no qual Elizabeth vê a si própria, que acaba caçado e decapitado, para rara consternação dessa mulher que suprimiu seus sentimentos à força de reprimi-los. De resto, A Rainha faz jus à própria Elizabeth: frio, competente, ocasionalmente justo, sem sal e cujo poder reside apenas na imagem.
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Brasil Cor-de-Rosa

Este texto foi publicado originalmente na minha outra página, Síntese & Seleção, em 15 de agosto de 2005. Os dados aqui expostos devem ter mudado, mas suspeito que não muito.

O brasileiro parece ter só duas atitudes extremas para com o seu país: escracho ou ufanismo (não preciso esclarecer que ufanismo não é estudo dos UFOs, preciso?). Mensagens e piadas contra o Brasil circulam pela net todos os dias.

Hoje, excepcionalmente, recebi de uma querida amiga uma mensagem que pretende enumerar os pontos positivos do nosso país. Infelizmente, porém, a mensagem é de um ufanismo tão babaca, que se fosse só um pouquinho mais pretensiosa eu diria que o Arnaldo Jabor a escreveu. Meu Deus! será possível que não se pode ser otimista neste país sem cair na alienação e na imbecilidade?

Para tentar achar o meio-termo entre o ufanismo arnaldojaboriano dessa mensagem patética e a necessária autocrítica sem derrotismo, reproduzo a mensagem com alguns comentários meus em vermelho.

O que é Brasil?
Os dados são da Antropos Consulting:

Esclarecimento preliminar: a Antropos Consulting não é nenhum órgão de recenseamento ou de pesquisa, e sim de consultoria empresarial, pertencente ao sr. Luiz Almeida Marins Filho, cujas palestras constituem a auto-ajuda dos empresários. Ou seja, o homem é uma espécie de Lair Ribeiro do empresariado, um otimista profissional, guru do neoliberalismo.

1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

Até aí, tudo bem.

2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

Isso não é verdade. A Austrália foi um dos primeiros países a adotar esse projeto.

3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

Do que adianta ser tão solidária e ter 5 mil pessoas por ano assassinadas por ladrões, por traficantes de drogas ou por policiais corruptos?

4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo. 

Nos EUA o voto é facultativo. Aqui é obrigatório, pois populistas e corruptos contam com o voto dos eleitores ignorantes e analfabetos, que nunca deveriam votar, mas são obrigados, e como essa massa de eleitores é gigantesca, os inúmeros e inúteis partidos brasileiros investem milhões no processo eleitoral, ao contrário dos EUA, que só têm dois partidos políticos.

5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.

Os países da América Latina e Caribe respondem por míseros 6% da população mundial de internautas. O Brasil tem hoje cerca de 17 milhões de internautas, menos de 10% da população.

6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

Talvez os países vizinhos não possuam nenhuma porque preferem investir em transporte coletivo, ao invés de desovar milhões de veículos novos no mercado a cada ano, atravancando cada vez mais as rodovias, tornando o trânsito mais caótico, o petróleo mais caro e o ar mais poluído.

7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.

Dados do Unicef mostram que no Brasil 1,1 milhão de adolescentes entre 12 e 17 anos – 5,2% dessa faixa etária – ainda são analfabetos. Outros 8 milhões têm baixa escolaridade (menos de 5 anos de educação formal) e vivem em famílias cuja renda per capita é inferior a meio salário mínimo. Apenas 11,2% dos adolescentes entre 14 e 15 anos concluem o ensino fundamental. Este foi o que mais cresceu, mas sua qualidade é notoriamente má.

8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.

O celular no Brasil é mais caro que nos EUA e alguns países da Europa. Os impostos são muito mais altos. Nos EUA, ficam em torno de 3%, enquanto no Brasil oscilam entre 40% e 60%, dependendo do estado. Em Roraima, chega a 62,9%. Na maioria, a tributação efetiva atinge 40%, sendo que no Rio de Janeiro é 50%.

9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.

O Brasil é o país que mais cobra impostos sobre serviços de telecomunicações no mundo, segundo pesquisa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Sobre a conta telefônica incidem o ICMS estadual (a alíquota de São Paulo é de 25%) e os tributos federais Cofins (3%) e PIS (0,65%). Como esses tributos são aplicados sobre o valor final da conta, o consumidor paga imposto sobre imposto. Uma alíquota total de 28,5% representa uma tributação efetiva de 40,15%. Um exemplo: numa conta telefônica no valor de R$ 100, sem impostos, o consumidor vai pagar R$ 140,15. Além desses tributos, a conta de telefone traz ainda o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), com contribuição de 1%, e do Funtel (Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), com contribuição de 0,5%. Segundo a Anatel, quem paga esse valor são as operadoras e o preço não é repassado ao consumidor. Os brasileiros pagam uma tarifa muita alta, se comparada com as de outros países. Nos EUA e no Japão, por exemplo, o valor dos tributos são de 3% e 5%, respectivamente.

(Fonte: www.comparatel.com.br)

10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.

A cada ano são criadas mais de quatro milhões de micro e pequenas empresas no Brasil, o que representa 98% do total. Mesmo sendo responsáveis por 53% dos empregos gerados, 80% delas acabam fechando no primeiro ano de funcionamento, estranguladas pela carga tributária e pelos encargos trabalhistas.

11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

Ha, ha, ha! De fato, a população no Brasil voa tanto de jatinho e helicóptero executivo, que chega a enjoar!

Por que esse vício de só falar mal do Brasil?

12. Por que não se orgulhar em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

Porque não há motivo algum para orgulho. Apenas 25% da população brasileira sabe ler e escrever. Menos da metade desses 25% tem acesso a esses 50 mil títulos novos. O fato de livros serem publicados em grande quantidade não significa que são lidos. Num país em que a meia-dúzia de firmas que monopolizam a produção editorial são pertencentes a bancos e holdings estrangeiras, a produção excessiva de livros serve apenas para justificar orçamentos milionários. Que diferença faz para o Unibanco, dono da Companhia das Letras, editar mil ou 10 mil títulos novos por mês?

13. Que o Brasil tem o mais moderno sistema bancário do planeta?

E por que não teria, já que os bancos virtualmente POSSUEM o Brasil, desde que o governo FHC aliou-se a eles para saquear os brasileiros através da CPMF e outras “contribuições”? E que, desde o começo do governo Lula, lucram sozinhos quatro vezes mais que todas as outras empresas. Não existe no mundo inteiro um país onde os bancos sejam tão onipotentes como no Brasil. Antigamente, bancos mal-administrados faliam aqui como qualquer empresa. Hoje não. Banco não quebra no Brasil. Qualquer agiota que ameace quebrar, o Banco Central vai correndo resgatá-lo.

14. Que as agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

Duda Mendonça tem demonstrado nos últimos anos para que servem REALMENTE os publicitários neste país.

15. Por que não se fala que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

Não existe um só país na face da Terra que não diga a mesma coisa sobre si próprio.

16. Por que não dizer que o Brasil é hoje a terceira maior democracia do mundo?

A Índia é a maior democracia do mundo. E daí? É também o país mais pobre do mundo.

17. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

Isso raramente ocorre em outros países “ditos civilizados” porque neles os corruptos raramente são eleitos para o Congresso, ao passo que aqui até corruptos JÁ punidos, como o repulsivo Antônio Carlos Magalhães, são reeleitos.

18. Por que não lembrar que nós somos um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?

Só no Rio de Janeiro, principal porta de entrada dos turistas no País, foram registradas, em 2004, 3 mil agressões aos viajantes estrangeiros. Em Copacabana, pivetes protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente são os protagonistas dessa violência. Num período em que o turismo mundial alcançou um número recorde (500 milhões de viajantes), o Brasil se deu o luxo de perder 1 milhão deles. Hoje, o Brasil recebe menos turistas do que o Uruguai, e muito menos do que a Argentina. O balneário uruguaio de Punta del Leste recebeu no último verão tantos turistas quanto o Rio de Janeiro!

19. Por que não se orgulhar de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando. É! O Brasil é um país abençoado de fato.

Abençoado por ter desgraças? Rir da própria desgraça ao invés de indignar-se e combater a causa dela, é a razão pela qual a desgraça permanece. Quem come bosta e dá risada é hiena.

20. Que nós somos considerados os maiores amantes do mundo, enquanto que os ingleses e os árabes são os piores?

Sim, orgulhar-se de bobagens como essa é uma das razões do descontrole da natalidade neste país, com pobres e miseráveis, que mal podem sustentar a si próprios, gerando mais e mais filhos igualmente pobres e miseráveis.

21. Que nós tomamos banho todos os dias, às vezes mais de um por dia enquanto que os europeus tomam em média um por semana? O país do mundo onde a Gessy Lever mais vende sabonetes é o Brasil.

Este é o único item com que estou de pleno acordo.

Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.

De fato, qualquer vigarista que resolve fundar uma igreja aqui se dá muito bem. Fica milionário da noite para o dia, e ainda recebe isenção fiscal. Com mais um pouco de sorte, poderá até ganhar uma concessão de emissora de rádio e TV. Como diria o pseudobispo Edir Macedo, “templo é dinheiro”.

Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.

Não entendi qual o mérito de entender um sotaque.

Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.

Que eu saiba, os climas existentes no Brasil são o tropical, subtropical, semi-árido e equatorial. Ou seja, com raras exceções, aqui faz um calor do cão.

Por que nós temos a mania de só ser nacionalista e patriota durante a Copa do Mundo? Se fosse assim todos os dias, vibrador como é durante a Copa, talvez hoje o Brasil seria uma superpotência…

Sem comentários.

Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!

Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada um de nós, mas ao ler estas palavras irá, pelo menos, por alguns momentos, refletir e nos orgulharmos de sermos BRASILEIROS!!!

Não é com ufanismo imbecil, dados mentirosos e atitude de Policarpo Quaresma que vamos mudar o pessimismo que as classes dirigentes inculcaram nos brasileiros que lêem jornal, e sim com ações concretas para remover essas classes até o último membro, e substituí-las por cidadãos dignos. O problema precisa ser encarado com objetividade e combatido, não enfeitado com o chapéu de bananas da Carmem Miranda. Ou, como diz Dias Gomes em sua peça Amor em Campo Minado:

“Não adianta pintar a bosta de cor-de-rosa e fingir que é sorvete de morango”.

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